Um dia de abril de 2020 por Stella Rebecchi

Um dia de abril de 2020

Por Stella Rebecchi

Tempos muito diferentes, sentimentos diferentes, inéditos, conturbação, vontade de dormir e de quando acordar, constatar que era só um pesadelo.  Não é um pesadelo, não é ficção. Velhos tempos chegando ao fim.

Os pensamentos e sentimentos arruínam a serenidade, fazendo das minhas noites e de muita gente, a receita perfeita para a insanidade, e que, rolando pra lá e pra cá, virando o travesseiro procurando o lado mais fresquinho, vai resolver, não vai, pura ilusão. Ouvidos chiam, o coração parece estar latejando, o olhar parado, esbugalhado no escuro, pensamentos terroristas, trágicos, imagens de acidentes, mortes, saudades, muitos doentes, pobreza, catástrofes. Começa o suor no pescoço com o medo que se instala de nunca mais voltar aos lugares passados em pura felicidade. Nunca mais adormecer no balanço do mar, adormecer no compasso da respiração do companheiro, ver, tocar, falar com os que me importo e amo, que as festas dos reencontros não haverá mais ao pôr do sol,… ou pela minha idade que tudo pode acontecer ou se precipitar, pela consequência dos acontecimentos atuais.   

Chega! Não posso deixar que os pensamentos me levem a ter vontade de cortar os pulsos e partir antes da hora. Nem de buscar remedinhos para dormir.  Queria dormir a noite toda como antigamente. Porém, não tem jeito; acordo de madrugada para ir ao banheiro, não tenho próstata, mas é como tivesse! E é nessa hora que o bicho pega. Com esforço venho achando solução para o sono sereno. Não foi do dia para a noite. É um treinamento de atleta e com ajuda de pessoas.

A primeira condição: Consciência tranquila. Aquela da missão cumprida hoje e só por hoje. Tenho aproveitado para refletir se meu comportamento e sentimentos para com as pessoas estão de acordo com as leis da serenidade. E aproveito para ter mais aceitação de mim mesma, do jeito que sou, nem muito pra lá nem muito pra cá. E me entrego. Realmente eu me rendo e me entrego nas mãos do Universo.

Segunda condição: Controle da “estação de rádio”, FM, sem chiados, aquele botão que posso girar ou tocar que coloco onde eu escolher. Eu escolho a estação, o tom, o que quero ouvir. Mas às vezes, não sei o que acontece com meu rádio, que a estação sai do ar dando lugar aos mexericos do mundo e muito barulho.  Daí preciso de ajuda para voltar a sintonizar. Então, chamo por eles, tenho um exército de espíritos de luz, animais de poder, anjos, arcanjos, mestres, ETs, que me enviam feixes de luz, me levam mentalmente a cantar uma música, a criar um texto literário, ter uma conversa amorosa que preciso com alguém, uma “viagem” de ácido sem ácido, e muita gratidão. Entregue, começo agradecendo pela cama  que me abraça, agradeço por ter um par de pés para encostar os meus, pelo lençol de tecido suave, os travesseiros que voam algumas penas, o fresquinho do quarto, ou o quentinho, agradeço por não estar surda porque ouço um ronco, cachorros latindo, alguns mosquitos e… zzzzzzzz

Deus seja louvado!

5 respostas

  1. Stella, seu texto é de muita sensibilidade e retrata bem
    os tempos diferentes, inéditos em que vivemos.
    Obrigada por compartilhar.
    Bjs

  2. Lindo minha mãe!
    Não corte seus pulsos, e muito menos tenha vontade de!
    Não nos deixe aqui sozinhos, sem sua presença maravilhosa, sem seus conselhos acalentadores, você é importante demais!
    Agradeço a Deus diariamente por ter você, mesmo à distâncias as vezes tão grandes, pois tenho certeza que estamos juntos onde quer que estejamos.
    Te amo!

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